Ao lado do Circo Voador, uma antiga e desativada fundição de fogões e cofres estava sendo demolida. O ato de destruir um prédio tão lindo, antigo, inteiro e grande, era demais para os integrantes do Circo Voador, um grupo que valorizava a cultura brasileira de todas as épocas. As marretas soavam sovando a bela fachada da Fundição Progresso. A reação já se podia esperar. Diante da negativa dos trabalhadores em parar a demolição, alguns circenses se puseram entre as marretas e o prédio enquanto outros foram buscar ajuda, com o objetivo de embargar politicamente a demolição. Até mesmo o arquiteto Lúcio Costa mexeu os pauzinhos e conseguiu o embargo. A fundição foi mantida de pé. A presença do Circo era tão marcante na cidade que, em 1987, a Prefeitura e o Estado concederam a ele o uso do espaço da fundição. A partir daí, esta (ainda em obras) passou a ser uma extensão do Circo Voador e ambos os espaços culturais funcionavam ao mesmo tempo, um complementando o outro.


Depois de se afastar da Fundição Progresso por conta de discordar da proposta que estava sendo implantada por seus sócios, Perfeito Fortuna foi trabalhar na Amazônia com índios e seringueiros na confecção de produtos feitos com látex. Em março de 1999, voltou à cena cultural carioca a fim de acabar o que tinha começado. Nesse período houve uma eleição para escolher o presidente da ONG Fundição de Arte e Progresso. Perfeito foi eleito e sua primeira iniciativa foi chamar grupos artísticos diversos (Intrépida Trupe, Teatro de Anônimo, Armazém Cia. de Teatro, etc.) para ocuparem a Fundição e desenvolverem suas propostas. Desde então, a Fundição Progresso vem sendo administrada pela ONG, que detém a concessão do Estado do Rio de Janeiro. A ideia que está sendo posta em prática desde então é o desenvolvimento das diversas culturas na maneira herdada pelo Circo Voador, experimentando e colocando ao alcance do grande público, iniciativas pioneiras e autônomas nas áreas de arte, educação, meio-ambiente e projetos sociais.


A formatação que vem sendo dada pela atual administração da ONG para a ocupação dos diversos e diferenciados espaços da Fundição obedece a critérios baseados nas condições reais que a Fundição se encontrava em março de 1999, aliados à imensa determinação em transformar esse monumento histórico da cidade num centro de cultura, meio-ambiente e educação. Várias obras, melhoramentos arquitetônicos e medidas de segurança fundamentais foram promovidos até então. A fachada ganhou cores mais condizentes com a cara e proposta da Fundição. A Casa de Espetáculos foi concluída, ganhou palco de madeira, telhado, acústica e estrutura profissional para os shows de grande porte. Primeiro e segundo piso, além do terraço da Fundição, foram reformados, e o último andar da grande arena foi transformado numa área especial para camarotes.


A Fundição Progresso hoje se firma como o centro cultural mais inovador do Rio de Janeiro, criando e fomentando projetos e eventos de grande relevância para a cidade e para o país, como o Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas, o Carnaval da Lapa, o Núcleo de Educação e Cultura, entre outros.


Fundição Progresso

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