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Professores discutem os rumos da Educação Ambiental

Na segunda roda de conversa do Plante Rio, ocorrida nesta sexta-feira, compartilhar de vivências, informações e incitações foram promovidos, colocando em pauta a "Educação Ambiental Climática no Antropoceno", com a presença de Jaqueline Girão, Leonardo Kaplan, Tarcísio Motta e Simone Oliveira.

A mesa começou com o Deputado Federal e professor Tarcísio Motta citando Paulo Freire: "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco o mundo muda". Foram propostas reflexões sobre o papel do indivíduo, da escola, do Estado e principalmente, dos norteadores das ações, decisões e posicionamentos voltados às temáticas ambientais climáticas no contexto da educação. Ele abordou a necessidade de estabelecer uma rede de educadores ambientais anticapitalistas, a fim de não só combater a degradação do meio ambiente, mas também educar sobre as reais causas do problema.

Tarcísio também trouxe um dado importante e ao mesmo tempo alarmante: de acordo com o relatório nacional da Semana da Escuta das Adolescências, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), apenas 13% dos alunos do 6° ao 9° ano do ensino médio consideram “direitos e sustentabilidade” como conteúdos que contribuem para o seu desenvolvimento ao longo da vida, enquanto 48% dos estudantes do 6° ao 9° ano consideram as disciplinas tradicionais como sendo mais importantes. Trazendo sua experiência como professor, ele também teceu comentários sobre o ambiente escolar enquanto lugar de mobilização e discussões sobre as mudanças climáticas que também afetam a escola, como o aquecimento global e o calor nas salas de aula, o uso frequente das escolas como abrigo para os desalojados após as chuvas, entre outras questões que venham a produzir uma consciência ambiental nos alunos.

A fala seguinte foi de Jaqueline Girão, professora da UFRJ e participante da produção do Eixo 7 do PNE (Plano Nacional da Educação). Ela falou sobre o desapontamento, enquanto docente, do desmembramento do Eixo por parte do Congresso. Trouxe reflexões sobre o papel da Educação para a Justiça Climática, citando extensões universitárias e pedagogias experimentais na educação básica, além da educação expositiva. Reforçou a necessidade de direcionamento das políticas e do plano educacional, tratando a situação atual como um colapso ambiental e não crise ambiental.  Explicou também que a situação é alarmante: "Não é mais decolonizar, é contracolonizar", expondo que são inviáveis as mudanças necessárias no atual modelo de produção. Jaqueline finalizou sua fala com a reflexão da impossibilidade de avanço nas pautas ambientais, considerando a falta de interesse por parte do Estado, tendo em vista o desmembramento de um eixo do PNE focado na educação socioambiental.

Leonardo Kaplan, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), citou um estudo que compara o BNCC com a política educacional da Espanha, trazendo questionamentos sobre a base educacional nacional em relação a outras nações, e quais as prioridades e tendências possíveis de serem observadas. Adicionalmente, apontou a educação para o desenvolvimento sustentável, em bases capitalistas, como ideologia e não conceito, levando em consideração a lógica expansiva do capital.

Ele trouxe uma base teórica das macrotendências da Educação Ambiental, distribuída majoritariamente em: Conservacionista, que não faz vínculo das informações geográficas, biológicas e ambientais com o modo de produção; Pragmática, que pensa em ações pontuais do indivíduo em relação ao meio ambiente; e Educação Ambiental crítica, que realiza direta relação do capitalismo com questões que envolvem gênero, raça e mobilidade de classes. Ele realizou um link, trazendo para o campo da Educação Ambiental o exemplo de um estudo que aborda o que os jovens pensam, em que apenas 24% afirmam ter conhecimento em relação ao racismo ambiental e 72% sobre o aquecimento global, colocando em questionamento se o segundo conceito recebe maior porcentagem pelo destaque na linha conservacionista da educação ambiental, e o primeiro uma taxa menor, pela falta enraizamento e interconexão entre os acontecimentos e o modo de produção vigente. Concluiu provocando sobre a necessidade de uma Educação Ambiental crítica, citando o liberalismo presente no sistema, dando exemplo com programas infantis como Os Flintstones e Os Jetsons, com a ideia de "sempre foi capitalismo e sempre será".

A mesa finalizou com uma troca, por meio de um bate papo com integrantes do evento, que culminou em diversos partilhares. Trazendo críticas às ODS's (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) como ópio do povo, sendo um alívio ilusório para as dores sociais. Além disso, deixou reflexões sobre a importância de estar em um movimento coletivo organizado, destacando o alinhamento de objetivos a serem alcançados, considerando a pluralidade de programas na luta política e nas próximas opções em perspectiva.

Redação Plante Rio: 

Texto e fotos de Matheus Araújo Santos e Maria Antônia Paiva 

Sob supervisão de Clara Lugão e Iago Souza