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FMCJS realiza roda de conversa com vivências diversas para discutir a COP30

A manhã do sábado, 13, no Plante Rio, não foi apenas de oficinas, mas também de debates a respeito da COP 30. O Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS) promoveu a sexta roda de conversa sobre os eventos que acontecerão em novembro, na cidade de Belém. 

As ativistas Nayhda Franca e Clara de Lima, da FASE, mediaram o diálogo entre os cinco convidados. Os participantes foram aMaureen Santos, do Grupo Carta de Belém, Aercio B. de Oliveira e Carmen Castro, do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS). Além disso, Cida Rodrigues, do Museu da Maré, e Alessandra Rangel, da Associação de Comunicação Remanescentes de Quilombos do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj) também participaram.

Diálogos diversos

Desde julho, a FMCJS organiza as rodas de conversa entre coletivos e instituições do estado, a fim de encontrar soluções em comum a partir de diversas vivências fluminenses. “Os encontros, neste momento em que estamos, são fundamentais para comunicar, dialogar e ouvir diferentes perspectivas. É uma escuta ativa. Não estamos todos no mesmo barco”, pontuou Nayhda.

Logo após, Clara de Lima, educadora popular, reforçou a pluralidade dos convidados. Ela destacou o processo formativo da Cúpula dos Povos e da COP30 em unir políticas sobre mudanças climáticas às pautas sociais.

Os provocadores

Clara apelidou os convidados de provocadores antes de iniciar o debate. Sendo assim, cada um teve dez minutos para apresentar uma instigação a partir dos trabalhos deles. 

A primeira provocadora foi a Maureen Santos, do Grupo Carta de Belém. Ela enfatizou as trajetórias das antigas Conferências das Partes, ou seja, as COPs. Depois, o Aercio B. de Oliveira, da FASE, adicionou as problemáticas do racismo ambiental e da segregação socioespacial como imprescindíveis para a trigésima conferência.

A roda foi continuada com as provocações da Carmen Castro, PACS, a respeito das matrizes energéticas. Ela questionou se é possível realizar uma transição de energia poluidora para a limpa, como a solar e a biomassa, que seja justa tanto no âmbito nacional quanto local. A próxima provocadora mostrou que é possível colocar em prática essa ideia.

Cida Rodrigues, conselheira e educadora do Museu da Maré, exaltou o projeto “O Sol Nasce para Todos”, do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM). O projeto equipou o museu com placas solares, que absorvem a luz do sol e a transformam em energia elétrica. O excedente é distribuído pela rede elétrica para os moradores do complexo.

“Nós temos o projeto Ecoa, desde 2011, que atua nas escolas da Maré com oficinas de educação socioambiental. Em 2019, a gente se aproxima do Fórum da Mudança e iniciamos o processo das placas de luz solar”, Rodrigues destaca a aproximação do local com a FMCJS.

Alessandra Rangel, da Acquilerj, finaliza as provocações ao questionar qual é o papel dos quilombolas e das comunidades indígenas nos eventos em Belém. “Enquanto o sistema continuará excludente, vidas serão ceifadas e vidas não poderão contribuir para a preservação do planeta”, ela afirma.

Nesse sentido, foi celebrado o título de “guardiões das florestas” que tais povos receberam da ONU em 2021. Isso os ajuda a serem incluídos nas pautas políticas, além de reconhecê-los como fundamentais para a preservação ambiental. Segundo Rangel, “se a gente continuar organizados e unidos, as mudanças serão transformadoras. Essa é a minha esperança.”

A roda de conversa, portanto, cumpriu o papel de dialogar diferentes perspectivas. Sob o viés da COP30, os participantes apresentaram soluções para o Rio de Janeiro, com ênfase na diversidade de vivências. Conforme pontuou Nayda, é importante construir a coletividade, porque não estamos no mesmo barco.

REDAÇÃO PLANTE RIO:

Matéria de Gabriel de Souza 

Fotos de Julia Porto

Supervisão de Clara Lugão e Iago Damasceño