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‘O que você quer levar para o futuro?’ Descubra a importância do passado para a construção de um novo mundo com a oficina Nave Memória

Nesta sexta-feira (18), teve início a 10.ª edição do Plante Rio na Fundição Progresso, com o tema “É Tempo de Mutirão”. A Fundação Verde, braço socioambiental da Fundição Progresso, faz um convite para reunir pessoas, trocar saberes e construir caminhos para um futuro.

Vestidos de astronautas e explorando afeto, passado e sensibilidade, a dupla Rona Neves (@ronaartista) e Efêmero (@efemero_mt) comandou a oficina Nave Memória, no espaço OFÁ, na abertura da programação.

O projeto é uma ação socioeducativa e artística que nasceu como desdobramento do conto "Os Astronautas", escrito por Ronan durante a pandemia para abordar os anseios e questionamentos de crianças do seu território sobre o mundo atual e os futuros possíveis. A experiência utiliza o improviso e a imaginação para escutar e convocar crianças e adultos a resgatarem suas memórias afetuosas.

Na prática, a oficina mistura teatro, improviso e poesia. A partir de dinâmicas de desenho, escrita e sonoplastia, os participantes exercitam a expressão e a coordenação motora, escrevendo "cartinhas" com seus sonhos para o futuro, que são depositadas na nave construída com papelão e papel alumínio. 

"É uma nave, uma nave memória que capta os sonhos das crianças e os leva pro futuro. Mas que futuro essas crianças querem encontrar?" — disse Rona, idealizador do projeto. 

O artista também aponta sobre a relação com a memória em uma época de consumo e descarte acelerado de imagens e informações. Para Rona, falar do passado em um evento de sustentabilidade é defender a produção de registros para a construção de um futuro com base no resgate de raízes locais, afetos e histórias familiares.

— Em tempos em que a gente vive uma enxurrada de imagens, tudo é registrado e, ao mesmo tempo, tudo é muito descartado. Você publica uma parada agora, daqui a pouco a pessoa já quer ver uma outra imagem, esquece aquela. Enquanto o que a gente tenta preservar, como Mateus trouxe, é a memória da relação com a avó — explicou o artista.

O produtor do Afro Slam, Efêmero (@efemero_mt), parceiro de Rona no projeto, integra a poesia, o desenho e o improviso para conectar a imaginação, a escrita e a presença. Para o poeta, a infância nunca deixa de existir dentro de nós, e resgatar essas memórias afetuosas por meio do fazer artístico é a chave para construir um novo olhar e novos caminhos para o amanhã.

— O que eu levo é essa memória, essa conexão literalmente do passado com o futuro. Trabalhar essa criatividade com improviso resgata essa memória e conecta com os próximos passos. Eu acredito que eu levo esse resgate e um novo olhar pro amanhã — afirmou Efêmero. 

O Plante Rio segue suas atividades durante o sábado (19), com rodas de conversa, oficinas, atividades culturais, performances artísticas, mostra socioambiental, alimentação agroecológica, feira de economia solidária e muito mais. 

 

REDAÇÃO PLANTE RIO:

Matéria de João Gabriel Nicolli

Fotos de João Gabriel Nicolli 

Supervisão de Clara Lugão e Maria Clara Paiva