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Antes da fala, o corpo: capoeira angola abre a Roda "Mutirão pelo clima" na Redação Plante Rio 10 anos 

No Palco São Sebastião, antes de qualquer microfone ligar para a Roda de Conversa "Mutirão pelo clima", foi o som do berimbau que tomou o espaço. A abertura artística ficou por conta do Mestre Célio Gomes, um dos capoeiristas mais experientes da cidade e a escolha não foi acaso.  

Célio começou na capoeira ainda em 1980, passando por mestres como Poeira, Manoel, Jurandir e Cobra Mansa, até se tornar parte da FICA (Fundação Internacional de Capoeira Angola). Em 2007, fundou seu próprio grupo, o Aluandê  Capoeira Angola, e desde os anos 2000 dá aulas justamente na Fundição Progresso, na Lapa, o mesmo equipamento cultural que realiza o Plante Rio. O grupo mantém até hoje rodas fixas na cidade, como a Roda do Lavradio e o projeto Quiluandê, além de discutir publicamente temas como o reconhecimento da capoeira como patrimônio cultural.  

A escolha de abrir uma roda de conversa sobre clima com uma manifestação de capoeira angola não é apenas estética. A capoeira angola carrega, na sua raiz, uma relação de corpo com território, memória e resistência, os mesmos elementos que atravessam o debate ambiental proposto pelo "Mutirão pelo clima". Antes de qualquer dado ou discurso técnico sobre transformação climática, a roda lembrou: o corpo também é território, e cuidar dele é também uma forma de cuidar do que está ao redor.  

A programação seguiu com a própria roda de debate sobre como a comunidade tem lidado com as mudanças no clima, dentro da lógica do Mutirão Agroflorestal que neste ano completa 30 anos de atuação. 

 

REDAÇÃO PLANTE RIO:

Matéria de Luiza Villeroy

Fotos de Luiz Franco 

Supervisão de Clara Lugão e Maria Clara Paiva