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Favela, educação e cura: Rodas de conversa sobre favelas verdes, educação ambiental e farmácia viva marcaram o segundo dia de Plante Rio 2026
O Canto das Flores na Fundição Progresso se transformou em ambiente de trocas de ideias, vivências e saberes no segundo dia do Plante Rio 2026. O espaço autogestionado recebeu três rodas de conversa neste sábado (19): Formiga Verde: O papel das favelas na conservação das florestas urbanas e da resiliência climática nas comunidades, educação agroecológica e ambiental nas escolas e Pronto-Socorro Verde: território de cura, trocas e aprendizados.
A primeira roda reuniu iniciativas sustentáveis de comunidades do Rio como Projeto Formiga Verde, no morro da Formiga, e Salgueiro Sustentável, no morro do Salgueiro, ambos na zona norte da cidade. Líderes dos projetos partilharam ações realizadas como hortas urbanas em lajes e espaços comunitários, reflorestamento e culinária com plantas alimentícias não convencionais, que mostram que as favelas são, não apenas capazes, como fundamentais, na proposta de soluções frente à crise climática, que é mais sentida justamente em comunidades periféricas.
Além disso, ações já realizadas por projetos socioambientais mostram que é possível transformar os espaços das comunidades com mais verde e construir conhecimento dentro dos territórios. A ancestralidade também aparece como parte dessas práticas, especialmente entre jovens que se aproximaram do cultivo por meio das memórias das avós. Para Denise dos Santos, do Salgueiro Sustentável, os jovens serão os “guardiões desses territórios, embaixadores do futuro, da terra, da água”.
A segunda roda reuniu educadores para compartilhar experiência na educação ambiental e agroecológica. Hortas, compostagem, gestão de resíduos, beneficiamento, agroflorestas são alguns dos exemplos de trabalhos realizados por Escola Cirandas de pedagogia Waldorf, Jardim do Beija Flor, que atuam em escolas públicas em comunidades tradicionais, Arte na Terra, entre outras iniciativas.
A busca dos educadores é levar as crianças a desenvolverem os sentidos no ambiente, o encantamento com o mundo, envolvimento com o trabalho agroecológico, além do lúdico e da criatividade. Para eles, a educação ambiental deve ser parte do currículo formativo, conectando desde cedo as crianças com a agroecologia e as questões ambientais e climáticas.
As experiências mudam a depender dos territórios, das necessidades da comunidade e do desenvolvimento das crianças. A realidade em escolas públicas é mais desafiadora, com menos recursos e espaço, e o plano é buscar novas parcerias, recursos e apoio para que a pauta possa chegar a todas as escolas e crianças.
Já a terceira roda do espaço sobre pronto socorro vivo, apresentada por Vera Fróes, especialista em plantas medicinais e veterana no Plante Rio, trouxe conhecimentos diversos sobre diferentes usos e potenciais de plantas medicinais de fácil acesso que se pode cultivar em casa. Vera relembrou que somos, originalmente, povo planta, que sempre nos relacionamos com plantas sejam medicinais ou alimentícias. E não a toa. O Brasil abriga um quarto das plantas medicinais do mundo, com cerca de 250 mil espécies.
Em uma troca com participantes da roda, plantas com diversas propriedades terapêuticas foram apresentadas para formar o pronto socorro vivo, medicinas vivas que todo podem ter em casa, como a sálvia, orégano, cavalinha, erva cidreira, tanchagem, carqueja, camomila, sabugueiro, entre outras. Vera lembrou ainda é importante conhecermos as plantas, nosso remédio e nosso alimento podem estar no nosso jardim, e todo conhecimento é válido.
A edição comemorativa deste ano marca os 10 anos de Plante Rio com o tema “É Tempo de Mutirão”, aos pés dos Arcos da Lapa, na Fundição Progresso. O evento comemora também os 30 anos do Mutirão Agroflorestal.
REDAÇÃO PLANTE RIO:
Matéria de Tainá Junqueira
Fotos de Tainá Junqueira
Supervisão de Clara Lugão e Maria Clara Paiva