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Quando o Plante Rio virou samba
No fim, depois de tanta conversa, alguém precisava colocar o corpo para dançar. Era quase como se os dois dias de Plante Rio tivessem sido construídos para chegar até aquele momento. Durante a programação, falou-se sobre clima, agroflorestas, justiça ambiental, cultura popular, reciclagem, território e futuro. Plantaram-se ideias, trocaram-se sementes, dividiram-se conhecimentos. Gente que não se conhecia chegou para conversar e saiu levando um pouco da história do outro. Mas, quando o dia começava a se despedir, as palavras deram espaço à música.
No Palco São Sebastião, o samba tomou conta do encerramento do Plante Rio 10 anos. A participação de Rita Benneditto, com o projeto “Se Mexa Também”, transformou a despedida em celebração. E era difícil ficar parado. Quem tinha passado o dia andando entre oficinas, exposições e rodas de conversa agora encontrava outro jeito de participar. O pé marcava o ritmo. O corpo acompanhava. As vozes
se misturavam. Por alguns instantes, não havia palestra, oficina ou debate. Havia gente reunida, cantando e dançando. Talvez aquele fosse o jeito mais bonito de encerrar um evento que escolheu como tema “É Tempo de Mutirão”, porque durante dois dias, o Plante Rio mostrou que um mutirão não acontece apenas quando muitas mãos se juntam para fazer alguma coisa. Ele também nasce quando pessoas diferentes compartilham conhecimentos, histórias, preocupações e desejos.
E foi assim, dançando, que o Plante Rio encerrou sua celebração de dez anos de história. Não com um ponto final, mas com o movimento de quem ainda tem muito para plantar.
REDAÇÃO PLANTE RIO:
Matéria de Sofia Negrão
Fotos de Luiz Franco
Supervisão de Clara Lugão e Maria Clara Paiva