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O Mistério de uma Semente Mágica e um Rio que Mora no Céu

Num sábado de sol cheio, as crianças do Plante Rio nos contam uma história sobre a vida que nasce a partir do Rio. Um antigo Rio que dá vida ao nosso território. Outro Rio que mora no céu e revive diversos outros seres e a resiliência de tantos outros Rios que se recusam a desaparecer. E essa história não será contada sozinha. A Intrépida Trupe, Grupo carioca de Artes Cênicas, levou os pequenos para esta aventura ao contarem, juntos, uma história sobre o nascimento do Rio de Janeiro e do nosso país, partindo do território e do ecossistema que dá nome à cidade, o Rio de Janeiro. 

A Intrépida Trupe é conhecida por ter revolucionado o circo do Brasil. Foi a primeira vez que o circo contemporâneo (ou “novo circo”) era visto em solos brasileiros na década de 1980. O Novo Circo traz uma nova veia artística para a performance ao conectar a dança ao teatro, buscando a contação de narrativas visuais e corporais. 

Neste sentido, a história plantada pelas mãos dos pequenos, narrou através da linguagem visual e corporal, a criação da vida no Rio de Janeiro e no Brasil a partir das águas. A massa aquática que compõem o nosso território. Iniciamos a história partindo do chão em que estamos, a praça dos arcos, que antigamente era banhada pelo Rio Carioca. Nascido na Floresta da Tijuca, a partir da construção de seu antigo aqueduto originou-se o nosso monumento dos Arcos da Lapa.

Neste momento, Juliane Oliveira, a contadora de nossa história, passeia com um tule azul sobre a cabeça das crianças curiosas simulando o movimento dos “rios que moram no céu “. O clima entre as crianças é de curiosidade: como é possível um rio que vive no céu? 

Os Rios Voadores são cursos de água atmosféricos que nascem a partir da evapotranspiração de milhões de árvores amazônicas que transportam a água que absorve em suas raízes de volta à atmosfera, levando umidade e chuva por todo o nosso país. Essas são as chuvas que alimentam rios inteiros por todo o Brasil. Rios que são casas para tantos outros seres. 

Mas, chegamos ao momento crítico da história: e se os rios desaparecem? e se estas florestas, que alimentam os rios, desaparecem? Sem floresta não existe Rio, sem Rio não existe água e sem água não existe vida. 

A contadora da nossa história nos revela que vivemos um momento de disputa entre governos que exploram e maltratam a natureza, e governos que cuidam e protegem nossas florestas e rios. E que apoiar governos que pensam na natureza é urgente para a vida das águas e dos seres vivos.

A “tia” Juliane recorre à ajuda aos pequenos. Por conta do desmatamento na Amazônia, milhões de árvores são mortas diariamente e para salvar as nossas águas, a solução é apenas uma: trazer as árvores de volta plantando! 

Aqui ela nos revela um mistério: trazia consigo sementes mágicas, capazes de dar vida a novas árvores, regenerando nossas florestas e revivendo nossos Rios. Porém, ela nos relata que o Senhor Galo, personagem chave dessa história, estar com suas sementes e que o perdeu no caminho para o Plante Rio. Assim, a plateia começa a entoar o coro em procura do Galo. 

“Cê não viu o meu galo?”. Nossa contadora pede ajuda à Senhora Coruja, uma amiga que ganha vida através de uma das meninas da plateia, que muito entusiasmada, se voluntariza a lhe dar voz. 

Enfim, escutamos o Senhor Galo cacarejar muito chateado, através de "Wandinha”, que segue criando os sons lúdicos e melódicos da história com sua voz e um pandeiro. “Dona Coruja, Dona Coruja, você viu minha semente?”, o Galo pergunta a Senhora Coruja, que admite não saber o paradeiro de suas sementes mágicas e chama ao mistério o seu amigo Jacaré. 

Jacaré, agora ganha a cena através de mais uma criança, de cachos dourados, que lhe dá uma voz tímida. O amigo diz que revelará com quem viu as sementes do Senhor Galo apenas se lhe cantar sua música favorita: Jacaré Poiô! 

“Cantem alto, senão eu não conto, o Jacaré intimida timidamente”. 

“Eu sou, eu sou, eu sou. Eu sou o Jacaré poiô”, as famílias cantam com entusiasmo. 

Dessa vez, chamamos o Senhor Sapo, que Jacaré se recorda ao pensar nas mágicas sementes. “Me fala onde estão minhas sementes, Senhor Sapo“, o Galo lhe pede muito entristecido.

O Senhor Sapo, interpretado por uma corajosa criança, com suas marias chiquinhas, vai à procura das sementes com o apoio da plateia: “Está ali, está ali, o Senhor Sapo aponta!”.

Chegou o momento de colocar as mãos na terra. Com as sementes, todas as crianças e seus cuidadores e cuidadoras se sentam em roda em volta de caixas de leite usadas, terra preta, sementes de diferentes espécies e mudas de Espada de São Jorge e Jibóia. O instinto é um só: encher as mãos e sentir no tato a terra úmida e macia. 

“Peguem a terra com as mãos, pra planta já saber quem vai cuidar dela”, Juliane sugere. 

“É Jiboia?”. “Está bom de terra?”. “Vamos levar para plantar no quintal da vovó!”. 

São frases que se sobressaltam e que demonstram o carinho e o cuidado que as famílias têm com suas sementes mágicas, que se tornaram, um dia, lindas árvores e que darão vida a novos rios e novos seres vivos, com os nossos personagens: Galo, Coruja, Jacaré e Sapo. Todos são animais que dependem da sobrevivência da floresta e do rio, porque na natureza tudo é interconectado e todos têm sua importância na natureza. 

REDAÇÃO PLANTE RIO:

Matéria de Milena Albuquerque 

Fotos de Milena Albuquerque 

Supervisão de Clara Lugão e Maria Clara Paiva